Estampaholic entrevista Clau Cicala (Estúdio Clau Cicala)

Oi gente! Estou super animada pois o post de hoje é muito especial! Eu vinha fazendo um certo mistério sobre esse post há algum tempo, mas agora chega de segredos! rs.

Confiram agora a primeira entrevista do Estampaholic! Entrevistei a fofíssima e talentosíssima Clau Cicala (do Estúdio Clau Cicala), uma profissional que eu admiro MUITO e que tem muito conhecimento para passar para todos nós!

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Sabem aquelas perguntas que vocês sempre quiseram fazer para um profissional bem sucedido da área? Eu fiz e vou compartilhar com vocês agora!

PS: O post está gigaaante, eu sei! Mas se vocês querem saber mais sobre a profissão, não deixem de acompanhar até o final! Tenho certeza que vão amar!

  1. Clau, apresente-se brevemente para o pessoal do Estampaholic! :)
    Sou designer de superfície por paixão, criadora por vocação e perseverante por opção (rs). Adoro fotografia, trabalhar e ter hábitos saudáveis. Amo cães e meu marido.
  2. Qual a sua formação?
    Sou formada em Propaganda e Marketing e Pós Graduada em Design de Estampas
  3. Que habilidades você sentiu que deveria desenvolver para trabalhar com estampas?
    Durante a pós graduação, notei que na parte operacional dos softwares eu já tinha um vasto conhecimento, ou seja, desenvolver as estampas utilizando o computador era fácil. Então, foquei no lado artístico, desenhos feitos a mão, pinturas com tintas e outros materiais era o desafio.
  4. Como você estuda/desenvolve suas habilidades? Cursos, workshops, internet, praticando sozinha…?
    Para trabalhar na área criativa acho que precisamos de pesquisa e referências, então, eduquei meu olhar estético pesquisando muito, me identificando com o trabalho de vários artistas/designers e achando meu eixo neste mix de imagens, conceitos, padrões e possibilidades. Workshops são maravilhosos, sempre voltados para estamparia, acabo fazendo alguns por ano. E claro, tudo isso depende única e exclusivamente do meu esforço, de querer melhorar e aperfeiçoar meu trabalho. Estarei sempre aprendendo.
  5. Já fez algum curso de desenho/pintura?
    Cheguei a fazer um curso básico de desenho mas fiquei apenas dois meses. O que aprendi neste período foi suficiente para complementar minha metodologia de criação e transformar meu trabalho. Desenhar passou a ser algo diário e com o passar do tempo, cada vez mais fácil. Nunca fiz curso de pintura. Acho que sou uma boa observadora e isso me ajudou muito.image
  6. Recomenda algum site/ferramenta online?
    Tem alguns sites, para buscar referências de imagens uso bastante o pinterest.com, para fazer colorações o kuler.adobe.com e para pesquisa de tendências o style.com.
  7. Que dicas você dá para quem precisa aprimorar o seu desenho?
    Praticar, praticar e praticar. Invista em cursos e aprenda com os melhores do mercado.
  8. Como você se inspira?
    Me inspiro em praticamente tudo rs. Ainda mais morando no Rio de Janeiro, onde tudo é mais colorido e a natureza exuberante. A internet possibilita fazer uma busca imensurável de imagens, mas acho que não é o bastante, então, gosto de tirar fotos, ir numa boa livraria, escutar música dar um passeio na praia. Depois disso, estou super inspirada rs.
  9. Que instrumentos/técnicas você mais usa no seu desenho?
    Uso muito lápis aquarelado, caneta nanquim e lápis pastel. Ultimamente estou adorando usar canetinhas, mas não as comuns, uso uma que tem ponta macia como se fosse um pincel. O efeito é maravilhoso.image
  10. Quais softwares você usa?
    Photoshop e Illustrator, são os melhores na minha opinião.
  11. Como se dá o seu processo criativo?
    Inicio uma pesquisa de imagens em livros e internet, elaboro um painel. Deste painel faço a cartela de cores, tiro elementos e texturas para iniciar minha criação. Separo os materiais que irei usar e ligo o som. Com tudo pronto, a criatividade acontece.image
  12. Como você parte de um desenho à mão para uma estampa final?
    Boa pergunta, todo mundo tem a curiosidade de saber como faço isso rs. É um processo relativamente simples, mas que implica em capricho e técnica. Depois que os desenhos/texturas estão prontos – eu só consigo desenhar em folhas A3, tem mais espaço e visualizo os elementos juntos – escaneio ou tiro foto em alta resolução e inicio o processo de tratamento de imagem, afinal, o acabamento é muito importante. Recorto as imagens com a ferramenta path e ajusto a coloração. Com isso pronto, começo a montagem da estampa, encaixando os elementos e brincando com as cores. O rapport acontece naturalmente durante o processo.
  13. Você possui um estilo pessoal que imprime em suas estampas? Se sim, como você o identifica?
    Com os passar do tempo, notei que o trabalho tinha algumas características, uma delas é a mistura e contraste de cores vibrantes, desenho manual junto com elementos gráficos e flores, sempre encaixo algumas (rs).image
  14. O que você acha do mercado em relação a oportunidades e remuneração?
    Acho que o mercado está ampliando, temos muitas empresas boas de criação de estampas, industrias e marcas. Mas infelizmente, a remuneração e a regulamentação da profissão precisam de ajustes. Muitos jovens designers que começam a fazer freelas me perguntam quanto cobro por estampa, buscam isso quando se deparam com o cliente pedindo orçamento, ou seja, saem da faculdade sem parâmetro nenhum de mercado. Já passei por isso, e busquei informação da mesma forma.  Acredito que com regulamentação a profissão terá novo valor e espaço, os profissionais ficarão mais bem informados e a qualidade do serviço aumentará. Percebo que estilistas/marcas nacionais, estão valorizando o que temos de melhor no design brasileiro, mas não sabem como acessar estes jovens profissionais super talentosos, que estão dispostos a mostrar a que vieram. Acabam contato apenas com as feiras internacionais como a Premier Vision, Indigo e outras como fonte para compra de estampas. As feiras que temos, tem estúdios brasileiros, mas não corresponde ao número de designers atuantes no mercado. Muita coisa pode ser feita para que estes profissionais entrem no circuito, de repente, uma feira com novos talentos, temos que pensar.
  15. Você já trabalhou em alguma empresa/marca antes de abrir o estúdio?
    Não, nunca tive uma BOA proposta.image
  16. Que dicas você daria para quem quer entrar no mercado?
    O início sempre é difícil, mas não podemos desanimar. Tem espaço para todos, cada um com sua característica e competência. Não tenha medo de perguntar o que não sabe e de ensinar o que já aprendeu p/ quem precisa de um help. Vá em busca de novas experiências e conecte-se com bons profissionais da área.
  17. Que sugestões você pode oferecer para quem quer ser freelancer ou abrir seu próprio estúdio/negócio nessa área?
    Confie no seu talento. Tenha ao seu lado pessoas de confiança e que acreditam no negócio. Envolva-se em todos os processos, criar é bacana, mas saber como fazer um bom atendimento é fundamental. Tenha preços competitivos mas cuidado p/ não quebrar o mercado com valores muito baixos. Lembre-se que a primeira impressão é a que fica, antes de visitar o cliente, leia sobre a história da marca, vá com conteúdo. Comunique-se bem, mas não fale demais, escute o que o cliente precisa, isso irá determinar o resultado do trabalho. Seja parceiro, pergunte depois se o consumidores gostaram das estampas, se as vendas aumentaram e se o objetivo foi alcançado, por mais que nosso trabalho seja artístico, o resultado final é financeiro, lucro. Esteja atento as mudanças de tendências e saiba o que nunca sai de moda.
  18. Como/quando você decidiu abrir o seu próprio estúdio?
    Depois que conclui a pós graduação comecei os freelas e não parei mais. Foi um período de aprendizado intenso. Descobri onde precisava focar mais para obter resultados melhores. No início do ano resolvi mostrar mais meus trabalhos, minha cara e colocar a palavra “Estúdio” na frente do meu nome. Mas tudo continua igual, o escritório é pequeno, atende as minhas necessidades. Quando não dou conta da demanda, aciono meus amigos freelancers para me ajudar e supervisiono para que tudo saia perfeito, quando não, faço as estampas, imprimindo meu estilo artesanal e impactante de sempre. O importante é atender as necessidades do cliente.image
  19. Você cria estampas próprias para vender ou apenas sob demanda?
    Crio as estampas sob demanda na medida que vão surgindo os trabalhos. Desenvolvo estampas próprias quando a semana está calma já pensando em futuras parcerias com empresas, gosto da ideia de colocar minha arte em produtos que tenham meu estilo.
  20. Como você divulga seu trabalho?
    Por enquanto divulgo através da fan page no facebook, flickr e twitter. Acabo dando entrevistas para blogs e sites que ajudam a impulsionar a comunicação. Faço meu próprio material de divulgação, fotos, impressos e vídeos. Sempre focando no meu trabalho e life style.
  21. Como é feito o contato com os clientes? Você é procurada por eles ou oferece o seu trabalho às marcas?
    Ofereço e sou procurada. Com a divulgação no facebook, muitas empresas mandam mensagens, mas também entro em contato com muitas por email, mando portifólio, propostas ofereço meus serviços.
  22. Qual o seu volume de trabalho mensal?
    Depende muito do mês, cheguei a fazer 20 estampas num mês e no outro 3. (rs) É a instabilidade de um estúdio novo no mercado.
  23. Você consegue viver somente da criação de estampas ou atua em outras áreas?
    Por enquanto não, além das estampas, faço trabalhos de fotografia e como designer gráfico, procuro pensar em formas de agregar meu vasto conhecimento adquirido nas editoras para somar com o serviço que ofereço hoje. Se um cliente de moda não precisa de estampa, pode precisar de material de divulgação. Caso precise dos dois, melhor ainda (rs). Adoro participar de sessões de fotos, dar palpites de como a modelo deve posar e como a roupa deve ficar para valorizar a estamparia. A estampa no tecido passa uma mensagem, a roupa estampada no corpo em movimento passa outra com mais força ainda.
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  24. Como surgiu o seu contato com marcas como C&A e Blue Man?
    A C&A foi a primeira empresa grande que trabalhei logo que terminei a pós. Viram as estampas do trabalho de conclusão do curso no flickr, gostaram e entraram em contato. A Blue Man, foi através de um amigo que me colocou em contato com a Sharon Azulay e marcamos um encontro, depois fluiu.
  25. Você se sente realizada com a sua profissão?
    Quero conquistar novos clientes, fazer trabalhos bacanas e ser conhecida no mercado. Acho que nunca vou me sentir 100% realizada na profissão, nada na vida é 100%.

Eu simplesmente AMEI entrevistar a Clau! Ficamos algo em torno de 4 ou 5 horas batendo papo no seu estúdio, falando sobre algo que nós duas (assim como vocês) amamos: estampas! Ela é um amor de pessoa e eu acho que a sua personalidade e a sua paixão pelo que faz podem ser percebidas em cada um dos seus trabalhos! E vocês, o que acharam?

Vocês podem saber mais sobre o trabalho dela visitando (e curtindo!) a sua página no facebook: facebook.com/estudioclaucicalae também através do Pinterest (pinterest.com/claucicala) e do Instagram (@claucicala e #brasilidadeestampada).

Beijos, espero que vocês tenham gostado do post!

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1 comment

  1. Joana Mendes

    Oi Patrîcia! Eu estou começando uma marca de moda praia, e amo estamparia.. Queria uma dica sua… Como vou trabalhar com moda praia, os biquinis vão estar sempre expostos ao sol, areia, água, etc. E o tecido será lycra, na maioria das vezes… Qual a melhor tecnica pra estampar, que não desbote tanto com o tempo? Muito obrigada!! Beijos

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